Etiqueta Infantil, Etiqueta Social

Como ensinar boas maneiras aos filhos?

22 set 2021 • por Gabriela Vassimon • 1 Comentário

Compreender como ensinar boas maneiras aos filhos é fundamental: quem é que não gosta de uma criança ou um adolescente educado? Ainda há preconceito com o termo etiqueta, mas ela nada mais é do que um conjunto de regras, um código de comportamento que busca facilitar nossas interações diárias.

Quem você escolheria para passar uma noite na sua casa: um amigo do seu filho educado, que sempre te cumprimenta, olha nos olhos e agradece ou aquele que raramente ou nunca faz isso? Crianças e adolescentes com boas maneiras são notados de forma positiva, recebem mais convites, têm mais amigos, são mais admirados pelos professores, pelos pais dos amigos e têm mais chances de receberem melhores oportunidades de trabalho no futuro.

Ademais, ao perceberem que estão se saindo bem em seus relacionamentos e interações, eles se sentem mais seguros e autoconfiantes, o que contribui para uma auto estima mais elevada e para que se tornem adultos mais contentes e satisfeitos.

Da mesma forma que todo mundo que quer dirigir precisa aprender sobre as regras de trânsito, todo mundo que convive em sociedade deveria aprender sobre etiqueta, civilidade e boas maneiras.

O que são boas maneiras

Boas maneiras são comportamentos educados que usamos para expressar cortesia. São geralmente ditadas pelas regras de etiqueta e estão relacionadas ao que é esperado em uma determinada situação. Elas podem facilmente e frequentemente serem exibidas simplesmente como um meio de causar uma impressão positiva ou de aparentar ser bom. Ou seja, uma pessoa pode apresentar boas maneiras e ser desrespeitosa, maldosa, desonesta, etc. Por isso, é muito importante ensinarmos também civilidade e caráter. Você pode ler mais sobre isso nesta matéria.

Boas maneiras e etiqueta não são frescura, não tem a ver com classe social. Tem a ver com educação, respeito, cooperação, autocontrole, consideração e relacionamentos, algo que faz parte da vida de todos nós, independente de classe social ou condição econômica. Da mesma forma que todo mundo que quer dirigir precisa aprender sobre as regras de trânsito, todo mundo que convive em sociedade deveria aprender sobre etiqueta, civilidade e boas maneiras.

Há pessoas de classe econômica baixa que são muito educadas, assim como existem pessoas de classe alta que são mal educadas. Boas maneiras e etiqueta, assim como a educação, são coisas que estão disponíveis para todos. Ainda que alguns conteúdos e cursos sejam pagos (confira nosso curso de etiqueta para crianças), há muito conteúdo gratuito atualmente na internet, como este que você lê e mais em nossos outros canais. Portanto, aprender boas maneiras e etiqueta não é questão de classe social, é questão de escolha. Saber se comportar adequadamente é algo que beneficia todos nós. Quando você se torna mais educado, você não está beneficiando apenas aos outros, mas também a você mesmo.

É verdade que antigamente a etiqueta foi usada como forma de diferenciação entre classes. Porém, isso mudou e a etiqueta atual preza justamente pelo contrário: oferecer oportunidades iguais a todos. Se todos aprendem e se desenvolvem, a sociedade toda evolui.

oas maneiras e etiqueta não são frescura, não tem a ver com classe social.
Aprender boas maneiras e etiqueta não é questão de classe social, é questão de escolha.

Como ensinar etiqueta e boas maneiras aos filhos

Se você quer saber como ensinar boas maneiras aos seus filhos, é importante que você saiba que existem dois caminhos possíveis:

  1. Colocar seu filho em um curso de boas maneiras, como os que oferecemos. Ensinamos crianças a partir dos 5 anos, até adolescentes e jovens de 18 anos.

  2. Os pais (ou responsáveis) ensinarem em casa

Antes de explorarmos esses dois caminhos, talvez você esteja se perguntando: “mas qual das duas opções é melhor?” Eu te respondo.

O ideal é que as duas situações aconteçam, ou seja, que seu filho aprenda em casa, no dia-a-dia, e que também frequente algumas aulas fora de casa. Isso irá reforçar o que ele está aprendendo em casa, além do fato de conviver nas aulas com outras crianças, o que oferece a oportunidade de que ele interaja e exercite suas habilidades sociais.

Ademais, os pais tendem a transferir aos filhos os ensinamentos que receberam na sua infância, e nem sempre tem uma visão clara sobre o que é importante repassar aos filhos e sobre o que é esperado deles em situações sociais. Quando você coloca seu filho em uma aula extra com um profissional competente e especializado, está garantindo que ele aprenda o que precisa e está reforçando para ele a mensagem de que você acredita que aquilo seja importante. Ademais, está aumentando a frequência com que seu filho está tendo contato com aquele assunto, e está proporcionando mais oportunidade e tempo de prática. Há também a vantagem de que ao dividir essa tarefa com alguém, você diminui a sua carga de responsabilidade, pois o processo se torna mais leve e tranquilo. Claro que o papel dos pais de educar não pode ser substituído. Essa não é nossa intenção ao oferecer cursos para o público infanto-juvenil. Nossa intenção é de auxiliar os pais nesse processo, servindo como um apoio, e de reforçar com as crianças e adolescentes determinados comportamentos, assim como ensinar novos. 

1- Um curso que ensine boas maneiras

Se você escolher colocar seu filho em um curso de boas maneiras, a primeira decisão é se prefere um curso online ou presencial. Nós oferecemos os dois formatos. É possível que em sua cidade você não encontre um curso presencial e tenha apenas a opção do online. 

Independente do formato, é muito interessante proporcionar ao seu filho um curso desse tipo. As habilidades sociais são utilizadas todos os dias de nossa vida, e quando seu filho aprender o que é esperado dele e como deve se comportar, irá tornar-se mais confiante e seguro em suas interações, além de mais habilidoso para se relacionar melhor com as pessoas, o que pode hoje e futuramente lhe trazer mais oportunidades, sejam de lazer ou de trabalho. Ademais, se o seu filho estiver em um curso você poderá ter acesso ao material que ele está estudando, o que te ajudará a saber como orientá-lo em casa. 

Na Escola de Gentileza, nós mantemos uma comunicação aberta e constante com os pais, fornecendo feedback frequente, tanto sobre o comportamento do aluno quanto sobre o conteúdo que ele aprendeu. Também enviamos materiais para casa e recursos para os pais, para que eles possam ter conhecimento sobre o que o filho está aprendendo e caso desejem, continuem se informando, discutindo e aplicando o tema em casa. Nós nos preocupamos em gerar resultados duradouros em nossos alunos, por isso oferecemos um contato contínuo e alguns recursos que buscam, mesmo após o término dos cursos, auxiliar a família na manutenção dos comportamentos e conhecimentos adquiridos. Porém, outro fator que influencia bastante na durabilidade dessa aprendizagem é a colaboração dos pais em casa. Uma criança cujos pais ensinam boas maneiras no dia-a-dia, que colocam-na em cursos ou para ver vídeos e livros sobre o tema, que mostram interesse e perguntam sobre o que ela está aprendendo e que fornecem bons exemplos em casa, estão certamente contribuindo para um resultado mais duradouro. 

Respondido isso, vamos ver agora como começar a ensinar boas maneiras aos seus filhos.

2- Aprendendo boas maneiras com os pais em casa

Não existe idade certa para começar a educar um filho. Com as boas maneiras é a mesma coisa. 

Ensinando crianças aos 2 anos

As crianças normalmente já entendem que precisam dizer “por favor” e “obrigado”. Então você já pode começar a ensinar estas “palavras mágicas” (usar esse termo gera mais interesse nas crianças, exemplo: seu filho pediu água e não disse “por favor”, você diz: “Cadê as palavras mágicas?”). Nessa idade, algumas crianças também já começam a entender quando dizemos “isso não é legal” ou “bom garoto”. Então você já pode ir ensinando o que são boas maneiras e por que são importantes. Você pode explicar que boas maneiras são maneiras adequadas de fazer as coisas, ou regras/dicas de comportamento. Costumo evitar usar a palavra “regras” pois isso costuma afastar o interesse das crianças. Mas regras existem, ajudam a nos organizar enquanto sociedade e precisam ser seguidas. Então também não é o caso de evitar este termo completamente. Minha orientação é que você alterne o uso da palavra “regras”, trocando às vezes por “dicas”, “sugestões”, “orientações”, “truques”, “técnicas”, “ideias”. 

Queremos que as crianças se divirtam aprendendo boas maneiras, que escolham exibi-las porque querem, não só porque precisam. Explique que quando usamos boas maneiras fica mais fácil nos darmos bem com as outras pessoas. Outras coisas que você pode ir ensinando nessa idade:

– esperar sua vez

– não interromper

– limpar o que sujou / guardar o que usou

– não empurrar

– não bater ou morder

Deixando claro que não é porque você vai começar a falar sobre essas coisas com 2 anos que a criança estará pronta para executar tudo que você ensinou. Estamos iniciando a educação de boas maneiras, será preciso repetir esses ensinamentos por mais tempo. Mas quanto antes você começar, mais fácil para você e sua criança.

Dos 3 aos 6 anos

– No ensino infantil, dos 3 aos 6 anos, as crianças já ouvem bastante a palavra respeito, mas nem sempre entendem com clareza o que isso significa e como exibi-lo. Por isso é importante dar exemplos específicos de como a criança pode demonstrar respeito. Algumas sugestões: se limpar e se arrumar, ouvir os outros, ajudar, não empurrar. Você também pode explicar que aquilo que sentimos dentro de nós, nós mostramos do lado de fora e que respeito é quando as ações falam mais alto do que as palavras. Respeito é uma forma de fazer as coisas com cuidado e consideração por nós e pelos outros. Usar boas maneiras mostra que você tem respeito.

Dos 4 aos 7 anos

– Dos 4 aos 7 anos você já pode ir ensinando como a criança deve se comportar quando encontra alguém ou quando conhece alguém novo. Ensinar quais comportamentos são esperados fará com que seu filho se sinta menos nervoso e o ajudará a se sentir mais confiante. Algumas recomendações sobre o que ensinar: como cumprimentar: sorrir, olhar nos olhos, estender a mão ou dar um beijo, se levantar, dizer “oi”, “boa tarde” e seu nome.

Quando a criança já começa a se vestir sozinha, você já pode ir ensinando sobre o auto respeito, primeiras impressões, sobre a importância da higiene, de usar roupas limpas e apropriadas para cada ocasião e ter boa postura.

Etiqueta à mesa para crianças

Aos 3 anos

Apenas despertar interesse da criança pelos alimentos e conseguir com que ela coma, ainda que utilize ainda as mãos, já é suficiente. Com cerca de 3 anos e meio, algumas crianças já demonstram interesse em ajudar na cozinha e você pode já ir deixando ela fazer pequenas tarefas, como pegar os legumes da geladeira, ajudar a colocar a mesa (apenas entregue à ela coisas que não quebrem ou ajude a levar até a mesa).

Aos 4 anos

Você já pode ir oferecendo e ensinando a usar o garfo, posicionando-o ao lado do prato da criança diariamente. No começo, o fato dela segurar o garfo de forma errada não é tão importante. O importante é que ela comece a praticar. 

Aos 5 anos

Você já pode disponibilizar também uma faca, de uma linha própria para crianças, sem corte e sem ponta, que não ofereça perigo.

A partir dos 5 anos

A partir dos 5 anos: já pode ir ensinando a segurar os talheres e cortar corretamente os alimentos. Pode ensinar a usar o guardanapo e alguns comportamentos à mesa, como: pedir licença antes de sair da mesa, lavar as mãos antes da refeição, não ficar saindo da mesa antes de acabar de comer, entre outros.

Quanto mais seu filho cresce e se torna independente, mais você pode ir aumentando a quantidade e o nível de dificuldade das orientações e das tarefas. 

Confira nosso blog para mais sugestões como essas; E não deixe de dar uma conferida nos nossos cursos para crianças e adolescentes.

Etiqueta à mesa para crianças
Etiqueta à mesa para crianças

Veja bem: estou dando orientações gerais, para te dar um norte, uma noção. Não significa que seu filho tem obrigatoriamente que estar usando garfo e faca aos 5 anos ou que se ele não fizer isso ele estará atrasado. Minha filha de 5 anos e meio, por exemplo, ainda prefere comer de colher e não se lembra de usar a faca quase nunca, estamos treinando isso. Eu disponibilizo no lugar dela à mesa todos os dias o garfo, a faca e a colher, e ela faz a escolha dela.

Às vezes sugiro que use o garfo para incentivá-la, mas não faço isso todo dia para não pressionar demais. Pode ser que chegue um momento em que vou parar de oferecer a colher. Na verdade já tentei algumas vezes, mas ela sempre pede. Então isso funciona como uma dança lenta, você vai oferecendo aqui e ali, incentivando, observando o ritmo dela e se ela já está com mais coordenação para segurar os talheres, se já não derruba mais os alimentos. Eu sei, nós pais tendemos a ter pressa e em vez de uma dança lenta desejamos um milagre repentino. Mas educar não funciona assim, então respire fundo e tenha paciência.

Quando vejo minha filha pegando a faca por iniciativa dela, sem eu ter lembrado, me dá um orgulho e um alívio imenso. Portanto, lembre-se que a hora da colheita virá para você também, você só não pode deixar de regar a sementinha, de educar diariamente.

Desenvolver qualquer habilidade envolve tempo e repetição. É assim com  qualquer coisa que nos dedicamos a aprender. Com as boas maneiras não é diferente. Educar é um trabalho de formiguinha. Pode ser cansativo ajudar seu filho a adquirir um novo hábito, mas não desista. Com constância e dedicação o resultado vem, e quando isso acontecer você verá que tudo valeu a pena.

É importante ter em mente também que não devemos exigir mais do que uma criança daquela determinada idade tem condições cognitivas de corresponder. Muitas vezes nós adultos fazemos exigências às crianças querendo que elas respondam e raciocinem como nós. Nos esquecemos de como era quando éramos crianças. Como psicóloga e professora de etiqueta e boas maneiras, entendo que para as pessoas leigas no assunto não é fácil saber o que pode ou não exigir dos filhos em cada idade. Por isso continue acompanhando nossos conteúdos para receber mais orientações específicas sobre isso. 

A importância das refeições em família

Outra coisa que os pais podem fazer desde que a criança é bem pequena, (com 1 ano) e que é importante manter até a adolescência, é procurar fazer as refeições em conjunto. Uma refeição por dia com a família à mesa já ajuda muito a fazer com que a criança aprenda a importância de estar em família, e permite que ela vá observando como os outros se comportam, e assim entenda o que é esperado dela. Não deixe a criança fazer todas as refeições do dia com a babá ou na frente da televisão. A refeição em família é acima de tudo um momento de união e comunhão, onde conversamos e nos conectamos. 

A mesa de refeição será o lugar de muitos acontecimentos importantes na vida de uma criança. Pode ser, um dia, o lugar onde seu filho irá conhecer os pais da namorada, onde terá um almoço com um potencial empregador, ou um jantar com o chefe na festa da empresa. Não importa qual seja a ocasião, saber se comportar em uma refeição irá beneficiar muito seu filho.

Uma criança que tem a oportunidade de aprender desde cedo sobre isso, sabe o que é esperado dela em determinadas situações sociais, se sente mais segura e autoconfiante, se conhece melhor, desenvolve a inteligência emocional, habilidades sociais e tem mais chances de ser bem sucedida na vida adulta, tanto em seus relacionamentos pessoais quanto profissionais.

Agora que você aprendeu que existem duas formas de ensinar boas maneiras aos seus filhos, pode escolher começar pela sugestão 1 “em casa”, pela sugestão 2 “em cursos” ou pelas duas ao mesmo tempo. O importante é começar.

A mesa de refeição será o lugar de muitos acontecimentos importantes na vida de uma criança.
A mesa de refeição será o lugar de muitos acontecimentos importantes na vida de uma criança.

Boas maneiras melhoram os relacionamentos

Por muito tempo os pais investiram e incentivaram somente – ou em sua maioria – o aprendizado acadêmico dos filhos, ou seja, que tirassem boas notas nas disciplinas tradicionais: matemática, português, etc. Prova disso é o fato de que a BNCC, órgão que determina o que as escolas brasileiras são obrigadas a ensinar, determinou que a partir de 2020 todas as escolas devem oferecer o ensino de habilidades socioemocionais. Isso mostra que nossa sociedade percebeu que não pode deixar o ensino dessas habilidades de lado, pois isso impacta nossas crianças e adolescentes hoje e futuramente também. Dificuldades de relacionamentos pessoais e no trabalho, dificuldade de conseguir emprego ou demissão por mal comportamento e inadequação, exclusão social por parte de amigos e grupos são apenas alguns exemplos do que pode acontecer com quem não desenvolveu adequadamente suas habilidades socioemocionais. Com certeza você quer o melhor para os seus filhos, por isso é tão importante você aprender como ensinar a eles boas maneiras e habilidades socioemocionais.  Algumas crianças demonstram desde pequenas ter naturalmente mais habilidade para se relacionar com as outras, mas nem todas nascem com essa facilidade e pré-disposição. Boas maneiras e habilidades socioemocionais podem e devem ser ensinadas.

Por isso te parabenizo por você estar dando esse passo e estar preocupado em aprender mais sobre como ensinar boas maneiras aos filhos. Estou aqui para te ajudar e para acompanhar vocês nessa jornada. 

Confira nosso curso de etiqueta infantil.

Regras de etiqueta

Considerando que etiqueta são regras de comportamento, é fundamental estabelecer regras. Para fornecer uma boa educação aos nossos filhos e criar cidadãos responsáveis e seguros, precisamos lhes dar afeto e limites. Regras fazem parte da vida, ajudam a nos organizar enquanto sociedade. Porém, é importante deixar claro que as regras de etiqueta mudam de uma cultura para outra, e até dentro de um mesmo país. Portanto, sempre precisamos avaliar as situações, já que a civilidade sempre deve vir antes da etiqueta.

Explico: uma regra de etiqueta diz que devemos cumprimentar um desconhecido com um aperto de mãos, quando apresentados pela primeira vez em um ambiente social. Porém, se esse desconhecido estiver com suas duas mãos ocupadas – segurando uma bebida e um aperitivo, por exemplo – é preferível que a gente quebre a regra de etiqueta e não lhe estenda a mão, do que que a gente lhe estenda a mão e o deixe em uma situação desconfortável.

Ou seja, as regras servem para nos nortear, mas temos que ter cuidado para que não nos engessem. É uma linha tênue que separa as regras que podemos quebrar daquelas que não podemos, ou o momento em que podemos ou não quebrá-las. Situações que envolvem respeito com os outros e regras básicas de boas maneiras e convivência, como: não furar fila, oferecer seu lugar aos mais velhos, não estacionar em vagas para deficientes, devem sempre serem seguidas.

Porém, há regras como a do exemplo dado acima – sobre cumprimentar um desconhecido – que podem e devem ser quebradas de acordo com a situação. Para saber como agir e como diferenciar uma situação da outra é preciso informação de qualidade, bom senso, autoconhecimento, empatia, atenção, tempo e prática. 

Nós, membros e afiliados da Civility Experts (escola de etiqueta e civilidade canadense que represento no Brasil) acreditamos que mais importante do que se preocupar com qual garfo usar, é se preocupar em se apresentar de maneira positiva e se sentir confiante e confortável em situações sociais. No que diz respeito à etiqueta à mesa e à etiqueta social, o principal objetivo é mostrar respeito pelos outros. 

Ensinar etiqueta para crianças pode ser divertido
Ensinar etiqueta para crianças pode ser divertido.

Ensinar etiqueta para crianças pode ser divertido

É possível ensinar boas maneiras de uma forma leve e divertida. É claro que isso vai depender também do seu nível de inspiração, paciência e criatividade. Afinal, somos humanos e como pais temos um monte de obrigações a cumprir. É muito difícil dar conta de tudo e manter todos os pratos equilibrados. Nem sempre conseguimos ser leves. Às vezes chamamos a atenção dos nossos filhos em tom de bronca e cobrança. Mas é importante pensar em formas diferentes de chamar a atenção.

Por exemplo: a criança está limpando a boca com a barra da camiseta. Em vez de dizer: “Fulano, para com isso, aonde já se viu? Use o guardanapo!”, que tal dizer com um tom de incredulidade e brincadeira: “O queeee? É isso mesmo que meus olhos estão vendo?” (finja que está esfregando os olhos) “Não acredito, acho que eu estou vendo coisas.”

Você pode até pensar: ah, mas se eu fizer brincadeira ele não vai me obedecer, isso vai tirar minha autoridade. Como mãe e psicóloga, eu discordo. Primeiro porque você não vai educá-lo todas as vezes em tom de brincadeira, mas de vez em quando. Segundo porque crianças aprendem muito mais através de brincadeiras. Terceiro porque já experimentei o que estou sugerindo. E minha filha não repetiu mais o mesmo comportamento. E ainda que seu filho volte a repeti-lo, ao menos você terá conduzido a situação de uma maneira mais divertida para todos. Experimente, você vai ver como é mais leve.

Outra sugestão é usar os lembretes. Exemplo: seu filho saiu da mesa sem pedir licença. Em vez de afirmar: “você esqueceu de pedir licença”, pergunte (mesmo que ele já tenha saído): “O que é mesmo que a gente fala antes de sair da mesa?”. Assim, além de reforçar qual comportamento você deseja que ele exiba, você também estará dando a chance dele pensar.

“Gabriela, mas eu não conheço muito a Etiqueta, nunca fiz cursos e não recebi essa educação na minha casa enquanto eu crescia. Então adianta eu investir na educação do meu filho, já que ele não me vê fazendo essas coisas?”

Respondo: sempre vale a pena investir em nossos filhos.

Quanto mais as crianças e adolescentes tiverem bons exemplos em casa, mais tenderão a se comportar de forma adequada. Crianças absorvem tudo que veem. Portanto, é importante cuidarmos das nossas ações no dia-a-dia. E não estou falando apenas de se preocupar em cortar os alimentos corretamente. Mas como você trata as outras pessoas, principalmente as desconhecidas ou aquelas que são menos favorecidas do que você? Você é gentil, atencioso, demonstra consideração pelos outros? Às vezes não nos damos conta, mas nossos filhos estão nos observando o tempo inteiro.

Você pode me perguntar: “Gabriela, mas eu não conheço muito a Etiqueta, nunca fiz cursos e não recebi essa educação na minha casa enquanto eu crescia. Então adianta eu investir na educação do meu filho, já que ele não me vê fazendo essas coisas?”

Respondo: sempre vale a pena investir em nossos filhos. A questão é que se ele tiver bons exemplos em casa, será mais fácil para ele aprender e exibir esses comportamentos. E será mais simples para você mostrar a ele porque você considera esse aprendizado importante. Se você quer que ele aprenda, mas você não pratica, as chances dele não dar valor a isso ou de te questionar são maiores.

Ele pode dizer: “ué, mãe, você quer que eu faça isso, mas nem você faz.”. Neste caso, eu responderia: “é verdade, filho, eu não faço porque não tive a oportunidade de aprender desde cedo, como você está tendo agora. Se eu tivesse aprendido mais cedo, muita coisa teria sido mais fácil, por isso estou investindo nisso para você. Acredito que seja importante e que você irá aproveitar muito. Mas nunca é tarde para começar e quem sabe agora que você vai começar a fazer aulas de boas maneiras, eu também faço um curso para pais ou vou aprendendo com você?”.

Mas ainda que em casa ele não tenha ótimos exemplos, não deixe de investir nesse conhecimento para ele. Não use a desculpa de que não vai adiantar nada. Sempre adianta.

Boas maneiras também são bons hábitos

Os hábitos e habilidades precisam de tempo para se formar. Não existe milagre, temos que ensinar e relembrar os ensinamentos diariamente aos nossos filhos. Com o tempo e a prática, aquele determinado comportamento vai se tornando natural para ele, e você não precisará mais lembrá-lo.

Uma recomendação para ajudar vocês nesse processo de ensinar boas maneiras aos filhos, é ensinar poucos comportamentos por vez. Não adianta querer ensinar 10 regras de etiqueta à mesa em uma única refeição e achar que em um dia ele estará fazendo tudo. Escolha uma única regra, treine por umas duas a três semanas, e então inclua uma nova.

Outra sugestão é imprimir algumas orientações da Etiqueta ou escrevê-las em um quadro de avisos, e colocar em um lugar de fácil visualização para todos. Nos primeiros dias, ajude a criança a criar o hábito de ler a listinha ou ver as figuras (no caso dos pequenos que ainda não sabem ler), até que ela faça isso sozinha.

como ensinar etiqueta e boas maneiras para crianças
Lembretes pela casa ajudam a ensinar etiqueta e boas maneiras para crianças.

Mas lembre-se, todo processo de aprendizagem leva tempo, e cada criança tem um ritmo diferente. Procure encarar o ensino de boas maneiras como algo leve e natural, tendo cuidado para não fazer exigências muito altas que podem acabar deixando a criança ansiosa ou com aversão pelo assunto. Brincar faz bem. É importante que as refeições e os momentos em família sejam momentos divertidos, para que todos se sintam queridos, acolhidos e se conectem uns aos outros, formando memórias afetivas positivas.

Confira nosso curso de etiqueta infantil.

 
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  1. […] aparelhos eletrônicos e seus recursos disponíveis podem servir para te ajudar a ensinar boas maneiras aos filhos, desde que usados com sabedoria e […]

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